Amor de cinema

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Quinta-feira à tarde eu saí com uma amiga para pegar os ingressos de um show. Pegamos nosso ingresso, ficamos lá no local esperando a carona pra casa. Conversamos muito, e nessa conversa eu escutei uma das histórias de amor mais lindas da minha vida. Não exatamente da minha, porque não aconteceu comigo, mas uma das mais lindas que eu já ouvi.

 

A história me transmitiu amor, naturalidade e uma vulnerabilidade daquelas legais de sentir. Parecia que eu estava lendo uma fanfic, fazendo muito “uuuh” e “aaahhh” com as reviravoltas da narrativa, e esperando aquele momento final fantástico e emocionante que realmente aconteceu. Pareceu coisa de filme mesmo, deu uns calafrios massa só de ouvir que aquilo era vida real.

 

E aí eu parei pra pensar que filmes, fanfics e livros, por mais surreais que sejam, têm onde se inspirar. As histórias de amor realmente acontecem! Elas estão por aí nas ruas, no seu grupo de amigos e talvez até na sua vida. Essa história que a minha amiga me contou me abriu os olhos pra a beleza desses contos de verdade, que pra mim só eram belos no cinema ou nas páginas dos livros. Eu estava meio cega pro amor que acontecia na minha frente, sabe? Acho que por isso a minha dificuldade de acreditar nele. Porém estou acordando, agora, aos 21 anos. Obrigada, Lele.

 

Eu não tenho uma história de amor pra contar. Não tenho a paixão, o clímax, o extraordinário, aquela corrida alucinada até o aeroporto pra impedir o carinha de entrar no avião, seguida de um beijo apaixonado. Quando eu era mais nova eu costumava imaginar essas coisas com caras aleatórios que passavam por mim, na fila do banco, da padaria, no cinema, na escola. Eu ficava esperando o início do meu filme. E talvez eu ainda espere um pouco, mas ultimamente eu comecei a perceber uma coisa bem óbvia.

 

As histórias do cinema são baseadas na realidade, são lindas e também muito maquiadas. E era isso que me confundia, porque eu ficava procurando a maquiagem na vida real, mas ninguém tem dinheiro pra isso. Quando você sai da sala de cinema, você não encontra Bradley Cooper e Jennifer Lawrence. Você encontra Mariana, Letícia, João, Guilherme, Gabriela. Não tem Nova York, Brighton, nem Berlim (é onde eu imagino meus romances), mas tem o Brasil e todos os seus estados, que possuem sua beleza não hollywoodiana, assim como nós. É só tirar os milhões de dólares, botar umas havaianas e pronto. É a mesma história de amor. Até mais interessante, porque está acontecendo de verdade. E se você estender esse amor pra todas as áreas da vida é ainda mais interessante (porque não é só a relação de casal que é idealizada).

 

Foram muitos anos de maquiagem na minha cabeça, mas atualmente estou me esforçando pra removê-la e, quem sabe, viver um amor daqueles que inspiram os filmes.

A Amiga Genial, por Elena Ferrante

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O mistério é uma coisa interessante. Um fato da vida pode ser interessante por si só, mas colocar no meio desse fato um elemento desconhecido o torna mais estimulante (pelo menos pra mim). A minha criatividade é acionada e eu começo a divagar na minha cabeça as possibilidades do mistério, tento dar forma para aquilo que não tem. Talvez o mistério não se torne conhecido, mas a questão nem é essa: o divertido é brincar com o mistério e no final ter várias possibilidades para uma coisa só.

 

Quando eu descobri que Elena Ferrante era um pseudônimo a curiosidade tomou conta dos meus dedos e eu fui no Google digitar esse nome pra ver o que saía. A primeira página mostrou um link que me chamou a atenção. Se chama “A verdade sobre o caso Elena Ferrante”. Analisando o título eu pensei que tinha encontrado a respostas para todas as minhas questões, porque provavelmente a verdadeira identidade da autora estava ali, detalhada e disponível. Eu cliquei no link e cinco segundos depois o fechei. Foi um pensamento muito rápido que me ocorreu, mas eu pensei que estava apenas na metade do primeiro livro dela, e não estava pronta pra tirar esse elemento da narrativa.

 
Eu continuo sem saber quem é Elena Ferrante. Não sei se ela mora em Nápoles, se está em outra cidade da Itália, se mora em outro país… Na minha cabeça eu imagino ela escrevendo no segundo andar de alguma casa antiga em algum lugar da Itália, com uma janela bem grande na frente e uma vista bonita pra inspirar. Ou então numa cidade bem urbana, com muitas luzes e barulho, num apartamentinho onde ela consegue abafar toda a agitação da cidade com a sua escrita. De vez em quando vão surgindo outras possibilidades, e na minha cabeça ela continua em todas.

 
Mas ao mesmo tempo eu sinto que sei muito quem é Elena Ferrante. Ela escreve no livro a história de uma amizade, e é tudo tão íntimo e natural na fala dela que não é possível não ter um pezinho no nosso mundo não literário. A sensação que eu tenho é que a Elena criou intimidade comigo e resolveu me contar toda a história da vida dela, as melhores e as piores partes, com todos os sentimentos, louváveis ou não. E como muito do que lhe aconteceu (pelo menos até agora) está intimamente ligado à Lina Cerullo, sua amiga. É possível, em muitos momentos, se ver na amizade das duas. O amor, a competição, o ciúme, o companheirismo, a sincronicidade entre duas pessoas, o silêncio que não precisa ser preenchido… olhando para as amizades que eu tive e tenho, entendo que é como essa relação fosse pulando de um sentimento para outro. A gente vai crescendo e alguns vão ficando pra traz, vão sendo trocados, sem mudar o elemento principal. É algo tão íntimo e ao mesmo tempo tão compartilhado por nós que às vezes parece que ela pegou os nossos próprios pensamentos para escrevê-los no seu livro.

 
Ainda penso no link que eu não vi. Talvez um dia eu leia, não sei ainda… Mas quando eu terminei de ler “A Amiga Genial” alguns mistérios se revelaram. Descobri que Elena é uma mulher honesta, simples e profunda, uma ótima companhia e uma inspiração.

Estamos fazendo um documentário | EP01

Olá, pessoas!
Eu estou começando uma série de vídeos com o making of de um documentário que nós vamos fazer no meu curso da universidade. Como vocês podem ver eu não sou uma pessoa que tem o hábito de estar de frente para uma câmera, mas estou me esforçando. Achei que seria interessante gravar o nosso processo até o produto final, e eu aproveito para ficar praticando a edição de vídeo, porque existe uma tendência a enferrujar.

 

Como complemento eu quis fazer esse post, para colocar outros materiais que eu mencionei no vídeo, no caso os documentários e livros. Eles estão disponíveis em três plataformas diferentes: Youtube, Vimeo e Netflix.

 

Lista dos curtas que eu assisti:

Joe’s Violin
Life Animated (Netflix)
The Abstract (Netflix)
Jedi Junior High (Netflix)
ExamiNation
The Mask You Live In (Netflix)
Slomo
The Handcrafter
The White Helmets (Netflix)
Arlin
4.1 Miles
O Príncipe das Ondas

 

Livros que eu li:
A Jornada do Escritor – não lembro ao certo o preço desse livro, mas comprei em um sebo na internet que tinha mais de um exemplar. Uma coisa que vale falar é que esse livro não é específico para documentários, mas para produções audiovisuais em geral: curtas, longas, documentários…

“The White Helmets”, vencedor da categoria Melhor Documentário Curta Metragem

160919_MOV_WhiteHelmets.jpg.CROP.promo-xlarge2“Os Capacetes Brancos” (The White Helmets) ganhou o Oscar de melhor documentário curta metragem esse ano. Quando assisti a premiação, ainda não tinha assistido esse documentário, mas lembro de me emocionar com o discurso dos diretores e equipe. No final, foi o discurso que me levou a assistir.

 

O documentário conta a vida de uma equipe de voluntários que resgatam civis feridos pela guerra. É um documentário político, de protesto, como foram a maioria dos outros indicados a categoria, mas de uma perspectiva totalmente diferente.

 

Talvez seja estranho falar que um documentário que fala de guerra e resgate de pessoas pode ser inspirador, mas acredito que é mais do que natural sentir isso ao ver quem são realmente os Capacetes Brancos. São homens que abdicaram de suas profissões e uma vida normal (o mais normal possível levando em consideração as circunstâncias) e se juntam a esse grupo de homens, que se são seus irmãos, para resgatar outros irmãos. A perda de um familiar é a perda de todos e o resgate de um é a alegria de todos. São homens que se abraçam, que dizem para os seus irmãos que vai dar tudo certo e compartilham suas vidas, seus medos e suas alegrias. Olhar para eles, além de fazer eu me sentir muito pequena em relação ao mundo, me fez viver por quarenta minutos um sentido de comunidade, compaixão e companheirismo que eu raramente percebo na minha realidade ocidental.

 

Em determinado momento, Mohamed Farah, um dos membros da Capacetes Brancos, diz “Amanhã será melhor. Sempre pensamos que as coisas vão melhorar. A justiça vai prevalecer um dia”. Agora me diga: isso não é inspirador? Uma pessoa que mora numa região que atualmente é um campo de guerra, encontra pessoas vivas e mortas todos os dias e sai para trabalhar sem saber se vai voltar, dizer que amanhã será melhor? Isso não é otimismo, é outra coisa. É esperança e fé, tudo junto. E eles não ficam esperando por ela, eles saem de casa todos os dias e correm atrás do dia melhor deles.

 

Essa foi a mensagem que eu tirei do documentário. Talvez não tenha nada que eu possa fazer diretamente para ajudar nesse momento da Síria, mas eu posso fazer outras coisas. Eu posso indicar esse documentário, posso refletir sobre ele, me manter informada, até. Eu posso me inspirar nos Capacetes Brancos e tentar ajudar o ambiente em que eu me encontro. Enxergar minha família, amigos, alunos, professores, colegas de trabalho, vizinhos… como irmãos, e não apenas como pessoas que vivem vidas separadas da minha. Fazer crescer o sentido de comunidade.

 

Definitivamente o Oscar mais merecido da noite.

 

 

“Os Capacetes Brancos” é dirigido por Orlando von Einsidel e Joanna Natasegara e está disponível na Netflix.